QUEM É ALINE ROMARIZ? MISTURADA MULHER, FASCINANTES PAPÉIS Passei parte de minha vida ouvindo mulheres dizendo que não queriam ter nascido mulher; lamentando-se por não integrarem o universo dos homens, que tudo podiam, na província e no tempo em que nascemos. Mas também passei parte de minha vida sabendo, intestinamente, que ser mulher foi um presente raro que recebi de meus pais: um velho liberal, de voz pausada e melancólica, idealista, que um dia Graciliano Ramos, na prisão, nomeou de “ nacionalista ingênuo”. Ele se encantava com as filhas, todas muito parecidas com ele, um ser meio feminino, para os padrões machistas da época, que odiava tiranias dentro e fora de casa. Investiu em nossa educação, abominando o hábito feminino, culturalmente induzido, de deixar de estudar para casar. Marido, dizia o velho João Romariz, não é emprego. Encantado com as filhas, meu pai atuou como atuam as mulheres: ensinando-nos a ser tolerantes, solidárias, delicadas. Um poeta, de poucas poesias...
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